O Estádio Municipal Sernamby, em São Mateus-ES

No início de 2026, colocamos o pé na estrada para mais uma tour pelo Espírito Santo com direito a muita estrada, histórias, encontros e rolês por várias cidades carregadas de memória, cultura e futebol.
Assim, chegamos em São Mateus onde o tempo pareceu andar mais devagar.

Foi emocionante estar a beira do rio São Mateus, conhecido como Rio Cricaré que passa pela cidade e deságua no Oceano Atlântico em Conceição da Barra (ES).
O rio teve papel crucial desde os primeiros habitantes, principalmente os Guarani e os Aratu sendo uma via natural de locomoção, fonte de água, pesca e subsistência para essas comunidades.

Fundada em 1544, São Mateus é a segunda cidade mais antiga do Espírito Santo e durante os séculos XVIII e XIX, seu Porto foi um dos maiores pontos de desembarque de navios negreiros do Brasil, direcionando os escravizados para o interior de Minas Gerais e para as lavouras da região.

Outro ícone desta época foi a Igreja Velha, que teve sua construção iniciada em meados do século XIX.

Falando sobre o futebol local, escondido entre lembranças, concreto envelhecido e saudade, existe um lugar que ainda pulsa no coração da cidade: o Estádio Manoel Moreira Sobrinho, o eterno Estádio do Sernamby.

O Estádio, embora seja municipal, ficou marcado como a casa da AA São Mateus.

Fundada em 1963, a Associação Atlética São Mateus nasceu no bairro Sernamby a partir de um projeto comunitário liderado por moradores, religiosos e voluntários, simbolizando a ideia de união popular.
O time é um dos maiores representantes do futebol do norte capixaba, conquistando os Campeonatos Capixabas de 2009

E de 2011

Além destes títulos, a AA São Mateus se tornou o maior campeão da Série B do Espírito Santo, tornando o time conhecido como “O Gigante do Norte” e também “Pit Bull do Norte” e fazendo do Sernamby, a extensão da identidade da cidade e da paixão de sua torcida.

O estádio foi inaugurado em 5 de março de 1965, e atualmente já não recebe multidões como antes.
Mas o local ainda carrega as marcas do tempo.

E o silêncio que hoje mora ali, onde antes estava a arquibancada lateral, parece impossível de combinar com a história gigantesca daquele lugar.

Ao pisar no Sernamby dá pra sentir que aquilo nunca foi apenas um estádio de futebol. Foi mesmo um sonho da comunidade.
Enquanto caminhávamos pelos arredores do estádio, tentando imaginar o barulho que um dia tomou conta daquele lugar, dava para sentir que cada pedaço de concreto guardava uma memória diferente.

Mas o Estádio Sernamby não era só a casa da Associação Atlética São Mateus.
Era (e é) parte da alma de São Mateus.

E a esperança ainda segue viva, assim como a outra arquibancada lá atrás do gol.
Segundo matéria de maio (veja aqui), finalmente houve a assinatura da escritura definitiva do Estádio Municipal Sernamby.

Pouca gente de fora entende esse tipo de sentimento, né?
Incrível como supermercados e farmácias são sempre mais valorizados do que escolas, estádios e espaços públicos…
O Sernamby nasceu muito antes das grandes partidas, dos refletores e das arquibancadas lotadas e também indo muito além do futebol: cursos gratuitos, encontros e um espaço onde nasciam ideias para transformar o bairro.

O estádio carregava até no nome uma história de generosidade.
Manoel Moreira Sobrinho foi delegado, líder religioso e professor voluntário de português para crianças pobres da região.
É como se o estádio tivesse herdado essa essência: servir às pessoas.
E serviu.

Serviu como palco de tardes inesquecíveis.
De títulos, de rivalidades históricas.
De domingos em família.
De crianças vendo o gramado pela primeira vez e acreditando que dali poderia nascer um futuro.

Ali teve suor de jogador, voz rouca de torcedor, vendedor atravessando arquibancada, rádio de pilha no ouvido e aquele nervosismo típico do futebol do interior, onde cada jogo parece assunto da cidade inteira durante a semana.
O Sernamby cresceu junto com o povo.

Vieram os muros, o alambrado, as arquibancadas.
Veio a famosa “Campanha do Cimento” em 1996, quando torcedores, empresários e lideranças locais se uniram para ampliar o estádio.

Vieram os refletores em 1998.
Vieram noites iluminadas que pareciam grandes demais para uma cidade do interior, mas que cabiam perfeitamente na paixão daquele povo.

E talvez seja exatamente por isso que dói tanto vê-lo fechado, ferido e parcialmente demolido pelo tempo.

Porque estádio de verdade não é feito só de estrutura.
É feito de pertencimento.

Enquanto observávamos aquelas arquibancadas vazias, dava para imaginar os fantasmas bonitos do passado ainda vivendo ali: o eco de um gol, o grito vindo da geral, o apito do juiz, a explosão da torcida do São Mateus.

Parecia que o estádio ainda estava esperando alguma coisa.
Talvez mais uma partida.
Talvez mais uma multidão.
Talvez a chance de respirar novamente.

E no fundo, é isso que emociona.
Mesmo abandonado durante anos, o Sernamby nunca saiu do coração da cidade. Porque lugares assim ultrapassam sua função original.
Eles viram memória coletiva.

Por isso tanta gente sonha com sua volta.
Não é apenas sobre reformar um estádio.
É sobre recuperar histórias.
É sobre devolver identidade.
É sobre impedir que uma parte da memória de São Mateus desapareça junto com o concreto envelhecido.

E saímos dali entendendo uma coisa: alguns estádios jamais morrem completamente.

O Estádio do Sernamby é um deles, e por isso tão importante.
Espero que dias melhores possam vir…

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De volta ao campo do União Lyra Serrano, em Paranapiacaba

Em 2023, a Prefeitura de Santo André efetuou o restauro do campo do União Lyra Serrano, mas somente agora em 2026 consegui voltar até lá para registrar o resultado deste investimento.

Já estivemos por lá várias vezes, veja aqui como foram as outras visitas, pra você comparar com o atual estado.
Confesso que, visualmente, não percebi mudanças tão significativas.

Estádio do Serrano Atlético Clube - Paranapiacaba

Acabei me esquecendo de visitar o Memorial Charles Miller, espaço com várias fotos e objetos que contam a importância da vila inglesa para o futebol. Na entrega do memorial, Giovana Miller, bisneta de Charles, esteve presente.

O restauro foi além do campo e chegou à arquibancada, que é feita de madeira, e vinha bem prejudicada pelas avarias do tempo.

Além da arquibancada, os trilhos de trem que servem como base para o alambrado também foram recuperados e construídos dois novos vestiários.
Os recursos vindos do PAC Cidades Históricas foram da ordem de R$ 3,9 milhões.

E por que é tão importante esse campo, justificando tamanho investimento?
É que embora oficialmente a primeira partida de futebol no Brasil teria ocorrido no Brás, em 14 de abril de 1895, entre as equipes da Companhia de Gás de São Paulo e a Companhia Ferroviária de São Paulo, a Vila Inglesa de Paranapiacaba já abrigava seu campo, sendo assim, o primeiro campo com medidas oficiais do Brasil.

O campo era usado pelo Serrano Atlhetic Club, time formado por ferroviários da São Paulo Railway e chegou a enfrentar grandes times do futebol paulista como Santos e Corinthians.
Em 1936, o Serrano A.C. se uniu à Sociedade Recreativa Lyra da Serra, formando o Clube União Lyra Serrano.
Se você ainda não conhece o campo ou a vila, é hora de mudar isso, venha para Paranapiacaba!

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Final da série A4 2026: CA Penapolense é campeão ao empatar com a Internacional em Bebedouro

9 de maio de 2026. Sábado.
Faz uma tarde agradável de outono em Bebedouro.
Depois de duas visitas para registrar seus estádios (veja aqui como foi em 2010 e aqui como foi em 2022) estamos de volta para finalmente acompanhar uma partida.
E não é um jogo qualquer, estamos na finalíssima da série A4

A cidade de Bebedouro estaca em festa e colorida de vermelho!

A partida será disputada no Estádio Municipal Sócrates Stamato e pra quem nunca esteve lá eu recomendo o rolê…

É sem dúvida um dos estádios mais legais pra se acompanhar um jogo nos dias de hoje.
Olha que bacana a lojinha que tem dentro do estádio:

O que mais nos motivou a viajar mais de 5 horas até Bebedouro, aquela que, no passado, foi a maior produtora de laranjas do estado, foi termos entrevistado o presidente da Inter e perceber o quanto ele, a diretoria e a cidade tem batalhado para o crescimento do time e do sentimento de pertencimento.
Não acredita?
Ouça aí o presidente Thiaguinho:

Coincidentemente, logo na semana seguinte à partida, tivemos a oportunidade de entrevistar o presidente do CA Penapolense, que também é uma pessoa super engajada em torno do futebol local e da relação com a cidade de Penápolis, confira:

Mas, deixemos o papo de lado e vamos ao campo!

A Inter teve uma excelente média de público em 2026, mas a finalíssima superou todas as expectativas e teve capacidade total esgotada: 6237 torcedores!

A torcida presente gerou imagens lindas no “Stematão“:

Os poucos espaços vazios, láááá no fundo do estádio só existiram porque os bombeiros não liberaram a venda de ingressos para lotação de toda sua capacidade…

E também porque mesmo em grande número (quase 300 torcedores) a torcida visitante do CA Penapolense acabou não ocupando todo o seu espaço.

Mas aquele clima de jogo, de final, estava no ar!

E com a ótima campanha da Inter, não era difícil sonhar com a primeira estrela em seu distintivo!

E isso que deixa a partida e o rolê como um todo muito mais legal!

Aí o responsável pelo som no estádio, que animou a galera a partida toda!

Feliz por mais uma vez encontrar o amigo Brasileiro, lá de Serrana!

E aí, o Lobo Vermelho, mascote do time da casa!

E ele não ficou só lá no campo animando o pessoal não, veio pra arquibancada pra sair nas fotos do que poderia ser o momento mais importante da história da Internacional!

Mas ele não era a única fera presente no Estádio não, olha aí que figura:

Um destaque especial para a organização do estádio e para a gastronomia local.
Tinha sorvete, esfiha, pipoca, refrigerante…

Mas, sem dúvidas o mais legal era mesmo a presença da população na bancada…

Cada um abraçou o time da cidade como pode, e foi muito bonito registrar quantas diferentes gerações das mesmas famílias se fizeram presente nessa verdadeira mobilização!

A partida começou e era difícil se concentrar no jogo com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo…

As duas torcidas faziam uma linda festa e o estádio realmente pulsava futebol como antigamente!

A Inter dependia da vitória para o título, então o time foi pra cima desde o começo do jogo e cada chance desperdiçada ou cada paralisação do juiz levava a torcida à loucura!

O Estádio Sócrates Stamato tem um detalhe que chama a atenção: em todo seu entorno, existem diversas bandeiras em branco e vermelho com o distintivo do clube.

Além de um lindo bandeirão que coloria o céu azul de vermelho…

A faixa indica que o pessoal da base também estava presente. Bacana ver esse envolvimento dos atletas e também de ver quantas categorias estão ativas hoje em dia.

E se o clima já era de aos 29 minutos, Loram fez o estádio explodir… Inter 1×0!

E foi muito bonito ver o sentimento que brotou na arquibancada local…

Assim, o primeiro tempo chegou ao fim trazendo um sentimento de alívio à torcida local, afinal… Ninguém ali estava preparado pra sair do estádio sem o título, mas… como vc bem sabe, o futebol não perdoa…

Assim, enquanto o sol foi se pondo, o segundo tempo reiniciou…

Teve até festa do celular…

E aos 19 do segundo tempo, Cadu fez 1×1 para o espanto e a tristeza da torcida da Inter…

A luz do sol vai embora e aos poucos parece que a torcida de Bebedouro realmente terá que se contentar com o acesso, aliás, fato a ser muito comemorado por si só!

O pessoal da Sangue do Lobo manteve o apoio o tempo todo!

É fim de jogo…
O empate leva a festa para o outro lado da arquibancada e as centenas de pessoas que viajaram de Penápolis até Bebedouro é que fazem a festa, sendo aplaudidos inclusive pelo público local em uma demonstração linda de respeito.

Parabéns aos atletas da Internacional pela incrível campanha e pelo acesso…

E parabéns aos campeões do CA Penapolense!!

Abraços aos amigos que reencontrei, Brasileiro, Mariano e o próprio Thiaguinho!

E que a Inter siga transformando os sonhos em conquistas… Espero poder voltar ao Estádio para uma partida na A3 2027!

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4ª feira de cinzas: Taubaté 1×1 Santo André, 11ª rodada da A2

Em plena quarta feira de cinzas do carnaval 2026 fomos até Taubaté para acompanhar de perto mais um capítulo dessa Série A2.
Viagem, estrada, conversa sobre escalação, aquela expectativa que quem gosta de futebol do interior entende.
Chegamos no Joaquinzão com o sentimento de que era jogo decisivo.

A entrada de visitantes tá meio caidinha…

Mas uma vez dentro do estádio não tem como não pensar que o futebol é mesmo mágico…

Olha lá o burro, mascote do time!

Bacana ver que mais gente teve a coragem de ir até lá para acompanhar a partida. Santo André nunca joga sozinho.

Times em campo…

O jogo começou elétrico e o Santo André parecia um time mais bem postado do que nas partidas anteriores.
A gente mal tinha terminado de se acomodar e já estava comemorando no meio da arquibancada visitante: após um escanteio o Santo André abriu o marcador.

Só que futebol não é roteiro pronto.
O Taubaté não sentiu o golpe. Foi pra cima. Pressionou. E o Santo André recuou…
Aos 38 minutos, depois de um cruzamento pela esquerda, a bola sobrou e o empate aconteceu.
Silêncio de um lado, explosão do outro.
E a gente já sabia que a noite não seria tranquila.

A torcida do Taubaté é bem legal.
Mantém viva a chama do futebol e da cultura caipira.

O primeiro tempo acabou e é hora de olhar a tabela e ver o que significa esse empate…

Lindas as árvores que cercam a arquibancada visitante.

O segundo tempo foi aberto, tenso, aquele jogo que ninguém quer perder.

O Santo André teve a chance de ouro aos 37 minutos. Daniel Davi passou pelo goleiro… e ali eu já estava levantando pra comemorar. Mas a finalização saiu fraca. A defesa tirou. Ficou aquela sensação de que escapou.

Na reta final, o Taubaté pressionou muito. O Joaquinzão empurrou. A defesa do Ramalhão segurou como deu até o apito final.

O empate não ajudou ninguém. Teve gosto amargo.
O Taubaté segue ali, colado na zona de rebaixamento, com nove pontos.
O Santo André, que começou a rodada no G-8, saiu da zona de classificação, agora está em nono, com 14 pontos.

Voltamos pra casa com aquela mistura de frustração e esperança. Porque foi um ponto fora, é verdade. Mas foi também um tropeço que custou caro na tabela.

Agora é virar a chave. Domingo tem São José no Bruno José Daniel. E a A2 não perdoa ninguém que relaxa.

Futebol do interior é isso: estrada, arquibancada, tensão e coração acelerado até o último minuto.

Um abraço pro Quero-quero…

E a gente segue junto.

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Santo André 1×0 Grêmio Prudente pela 10ª rodada da série A2 2026

Pra quem estava acompanhando a saga do Santo André pela série A2 2026 e percebeu que o site deu uma parada, vou apenas compartilhar as fotos e vídeos dos jogos pra manter oficializado o registro do nosso dia-a-dia.

https://youtube.com/watch?v=kWJQCn9d2Gs

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8ª rodada da série A2: derrota do Santo André, em 2 dias

Sábado, 7 de fevereiro de 2026.
Pare de reclamar da chuva, arrume amigos que sejam malucos também, e vamos pra Itu acompanhar a 8ª rodada da série A2 do Campeonato Paulista 2026.

Em campo, Ituano defende uma ótima campanha, invicta ainda, e o Santo André vem tentando criar pelo menos sua primeira sequência de resultados positivos…
É dia do Estádio Novelli Júnior pegar fogo!

No início do jogo, a prevista chuva ainda não havia chegado, então antecipamos nossa tradicional foto pra marcar o rolê.
Essas aliás, foram feitas pelo Roberto, esse em primeiro plano de boné da Vans… Mais um fanático pelo Santo André!

Os times vem a campo… E olha a nuvem em cima do estádio…

A ideia do nosso site sempre é fazer uma cobertura da partida, junto de uma torcida, mas sempre respeitando o adversário e inclusive dando espaço à sua torcida, mas confesso que fiquei decepcionado com o público em Itu.

E não é um problema exclusivo do Ituano… Infelizmente o futebol leva mesmo cada vez menos pessoas ao campo… Mas no caso do time de Itu, a boa fase merecia mais gente apoiando o Galo…

Enfim… para poucas pessoas, mas provavelmente as mais legais da cidade, e sob um céu esquisito, começa a partida!!!

A noite prometia não ser simples.
A chuva pesada que pegamos na estrada se aproximava a cada minuto do Novelli Júnior e o Ituano começou vindo com tudo desde o primeiro minuto, empurrado pela liderança em jogo e pela força que tem no seu estádio.

Pelo visto o pessoal do São Bento passou por ali.

Como sempre, a gente sofreu, se segurou, acreditou.
Quando o gol deles saiu, bateu aquela dor seca no peito que parecia soprar no ouvido: “vai ser duro buscar hoje”.

A chuva chegou… Mas não parecia vir com muita força.
O pessoal até resistiu no começo com capas e até com uma cabaninha de bandeira improvisada pelo Furlan…

Mas a chuva foi ficando cada vez mais forte, o gramado virou um campo de batalha e o futebol começou a virar sobrevivência. Em campo e na arquibancada.

Mesmo assim, o Ramalhão tentou.
Teve combate, teve chute perigoso, teve luta.
Mas, tem dias que não é a nossa vez.

Quando o juiz encerrou o primeiro tempo, nem cogitei que a partida não voltaria, mas realmente estávamos encharcados como poucas vezes…
Essa outra foto do Roberto mostra como a organização tentou solucionar o problema:

Fiz o que seria a última foto do meu celular que acabou danificado pela água… A câmera já estava com a lente ruim…

Depois de mais de 1 hora, o juiz anunciou que a partida estava suspensa.
Saímos do estádio com a cabeça cheia e tivemos que aguardar até domingo de manhã, e dessa vez acompanhei de casa, sofrendo a distância.
O Santo André até voltou melhor mas o Ituano soube controlar o jogo, esfriar o ritmo e segurar a vantagem.
Fica a consciência de que o Ramalhão brigou dentro das condições que o jogo permitiu.
Graças ao adiamento do jogo entre Sertãozinho e Monte Azul, seguimos no G-8, mas com o alerta ligado, já que qualquer que seja o resultado sairemos desta posição.
Quem acompanha esse time sabe: a estrada da A2 é longa, dura, e só passa por ela quem aguenta lutar até o fim faça chuva, faça sol, no estádio ou em casa.

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O Estádio Marcos José Campagnaro e o futebol em Ibiraçu-ES

Passamos a virada de ano passeando pelo litoral do Espírito Santo.
O rolê se encerrou na capital Vitória onde assistimos a Super Copa Capixaba (Vitória 5×1 Rio Branco, veja aqui como foi), mas também passamos por Serra, onde passamos pelo Estádio Robertão.

Mas também passamos por outros locais como Ibiraçu, cidade pequena, tranquila, cercada de verde e com um ritmo que convida à observação.
Caminhar por suas ruas é perceber como se forma a cultura e identidade local misturando histórias que vão da gastronomia à espiritualidade, passando pelo nosso amado futebol.

O grande marco da cidade é, sem dúvida, o Buda Gigante, localizado no Mosteiro Zen no Morro da Vargem.
Acabei me perdendo um pouco pra chegar lá, mas no fim deu tudo certo.

Com mais de 30 metros de altura, ele se impõe de forma serena sobre a paisagem, criando um contraste poderoso com a natureza do entorno.
A visita ao Buda não é apenas turística, é contemplativa.
O silêncio, a vista e a sensação de acolhimento fazem do local um espaço de pausa e reflexão, ampliando ainda mais o entendimento de Ibiraçu como um lugar mágico…

Tão mágico que possui uma linda história no futebol capixaba.
E foi pra aprender um pouco mais desta história que visitamos o Estádio Marcos Jorge Campagnaro, o Marcão.

Estar aqui é um encontro que todo pesquisador apaixonado por futebol espera encontrar pelo caminho.
Não é apenas um campo de jogo: é um ponto de memória viva do futebol capixaba, cravado em uma cidade que já experimentou o auge da glória esportiva, com o Ibiraçu Esporte Clube (se você quer conhecer este e outros escudos de times, precisa visitar o site Escudos Gino que foi de onde tirei as 3 versões abaixo):

Fundado em 9 de outubro de 1959, o Ibiraçu Esporte Clube nasceu de uma fórmula conhecida: a fusão entre tradicionais equipes locais, no caso América e Vitória.
Se o local do nascimento foi o Salão Paroquial da Igreja Matriz, a casa onde o time tem passado sua vida é o Estádio Marcos José Campagnaro.

O Estádio Marcos José Campagnaro foi inaugurado em 1º de Abril de 1979, com uma partida entre Ibiraçu X Rio Branco, disputando o troféu José Ivo Secomandi, vencido por 1×0 pelo time visitante.

Em 1982, o Ibiraçu EC sagrou-se Campeão Capixaba da Série B.

Mas a grande conquista veio em 1988, com o título da 1ª divisão do Campeonato Capixaba, eternizando seu nome entre os grandes do futebol capixaba.

Assim, o Ibiraçu tornou-se o primeiro clube do Espírito Santo a disputar a Copa do Brasil, em 1989, enfrentando o Grêmio, que viria a ser o campeão daquele torneio.
E foi pra conhecer de perto essa história que fomos até o Estádio Marcos José Campagnaro.

Num primeiro momento, fiquei preocupado de que não conseguiria entrar, pois o portão principal estava fechado…

Quando isso acontece, a solução, normalmente, nasce dando uma volta no estádio e procurando vizinhos e um possível “caseiro” ou responsável pelo local.

Esse é a lateral do estádio:

E assim, acabei conhecendo o atual caseiro, ex atleta do time e que segue trabalhando no clube, que permitiu o nosso acesso!
Logo de cara, na parte interna existem diversas placas comemorativas que registram os feitos históricos do time.

A presença dentro do campo sempre é um momento especial para quem gosta de caçar estádios…

Um estádio com muita história e uma energia muito boa!

Talvez, essa boa energia venha em parte dessa natureza exuberante que se faz presente na cidade como um todo e em especial ali, literalmente ao lado do campo.

Só fiquei triste de não poder estar ali na arquibancada curtindo um dia de jogo pra sentir como é a vibração da torcida local.

O estádio possui até um sistema de iluminação que permite os jogos noturnos.
Ainda que uma das torres esteja ali sendo engolido pela mata.
Se você quer saber mais sobre o time, segue eles no Insta (clique aqui)!

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Santo André 2×1 Água Santa, virada emocionante na 7ª rodada da série A2 2026

Domingo, 2 de fevereiro de 2026.
Jogo às 10hs da manhã é assim: muitos olhos ainda sonolentos, alguns vindo direto do rolê de sábado, outros, já acostumados a acordar cedo diariamente…
Mas, em comum, todos com o coração batendo mais forte do que o normal, afinal, é dia de Santo André no Bruno José Daniel.
Dessa vez, o Thiago (meu sobrinho) esteve presente e se tem alguém pé quente é ele…

Outra coisa legal, que deveria ter estado presente em TODOS os jogos do time é a loja do Santo André, a Ramalhão Store.
Incrível como o torcedor gosta da nossa camisa… E mais, se tivessem outros itens a preços mais acessíveis (afinal a camisa deste ano está R$ 200), como bonés, camisas de algodão e etc, com certeza venderíamos ainda mais ítens.

O Água Santa é um time que se tornou nome pesado, principalmente depois do vice campeonato paulista, e chega pro confronto como vice-líder, dono de um ataque forte que prometia causar calafrios na arquibancada local.
Não a toa sua torcida se fez presente em bom número.

Vale ressaltar que tanto a Aquáticos quanto os demais torcedores do Água Santa sempre receberam bem a torcida do Santo André em Diadema, e a recíproca foi verdadeira.
Até churrasco na sede da Fúria rolou depois reunindo as organizadas.

Recentemente entrevistamos o Paulo, presidente do Água Santa e foi um dos programas mais legais do @1902, confira:

Bom, chegar ao Brunão significa, antes de mais nada, reencontrar amigos.
Bandeiras tremulando, corações pulsando, e aquela sensação de que cada rosto na arquibancada tinha uma história com o Ramalhão.

Começa o cerimonial!
Quando a Federação criou essa música de abertura, eu achava meio esquisito, hoje, eu confesso que dá uma sensação bem legal de espetáculo oficial.
Vale ressaltar a iniciativa em parceria com a UAPA (veja mais aqui sobre como apoiar) com foco na adoção de cães abandonados: cada jogador entrou carrgando um dos pets que estão para serem adotados.

O jogo começou nervoso, o Santo André buscando espaço, mas não conseguia acertar aquele último passe…

Quem foi pra arquibancada foi pra torcer e não apenas para assistir.
O público apoiou os 90 minutos, jogando junto, como tem que ser.

Olha aí o Esquerdinha ajudando a criar um clima diferente na nossa bancada!

Pessoal da TUDA, a mais tradicional torcida organizada do Santo André, também estava lá!

Esquadrão Andreense também deu o seu apoio!

Em campo, o Santo André, mais uma vez teve boas oportunidades com os escanteios, mas, ao menos no primeiro tempo, nenhum deles acabou em gol.

Assim, o que se viu no primeiro tempo foi uma verdadeira luta tática.
A bola rodava, e cada chegada do Santo André vinha à mente o “vamos, vamos, vamos Ramalhão, vamoooooos!”.

Era como se a arquibancada pudesse soprar o time pra frente com cada grito.

O Água Santa mostrou porque tem uma campanha sólida, jogando com confiança, explorando os espaços, exigindo atenção máxima da defesa.
Quando foi pro ataque… fez um golaço.
Água Santa 1×0 já nos acréscimos do primeiro tempo.

O intervalo virou pausa necessária, com muita gente deixando a arquibancada para procurar água e refrigerante e retomar o fôlego.
Aliás, talvez quem comande os bares precisa repensar um pouco a operação. Difícil essas filas…

No intervalo, quem apareceu ali do nosso lado foi o Alexandre Seichi, treinador do nosso time sub20 e o responsável pelo time que disputou a copinha.

O 2º tempo voltou com a Fúria comandando a festa na arquibancada central.
E a Fúria tem sido um ponto importante no clima dos jogos!

O segundo tempo começou e o Santo André sabia que precisava de uma reação o quanto antes, mas nem eu esperava que viesse tão rápida.
Aos 2″, Mauro empatou a partida!

A reação na arquibancada local foi instantânea: gritos, bandeiras levantadas, um coro que fez o estádio vibrar como poucas vezes vimos neste A2.
Foi um momento chave, já que uma derrota levaria a voltar a pensar na parte de baixo da tabela.

Aquele momento parecia ser a redenção de rodadas anteriores após altos e baixos, após lutas na Copinha, após noites complicadas, o gol trouxe um sentimento de justiça no ar.
O empate já soava como um bom resultado.
Mas, a melhoria no jogo (muito graça a entrada do Tanque no ataque) começou a nos fazer pensar… E se a gente achasse um gol e levasse 3 pontos na partida de hoje?

Mas o adversário não era qualquer um.
O Água Santa era um adversário complicado e ainda oferecia risco de também fazer o seu gol e nos deixar sem ponto algum…
Só nos restava torcer.

O tempo passava rápido.
A lembrança de tantos gol tomados nos acréscimos deixava a torcida receosa…
Mas, aos 46 do segundo tempo…

Quanta energia. Quanta emoção. Quantos abraços trocados…

O torcedor ramalhino merecia esse carinho…
E do gol pro apito final foi um pulo…

Mais uma vez, o time soube dividir a celebração do resultado com a torcida…

No fim, a vitória ficou sensação foi de missão cumprida.
A certeza de que a cada jogo, mesmo contra um adversário forte como o Água Santa, o Ramalhão segue sendo um time que pulsa com sua gente.
Nossa paixão é assim: se renova a cada vitória, se fortalece a cada rodada e se celebra com cada bandeira no estádio.

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Santo André 0x1 Ferroviária, 6ª rodada da série A2 2026

28 de janeiro de 2026.
Mais uma noite que prometia história no Bruno José Daniel.

O clima de jogo às 4ªs feiras à noite é bem mais legal!!!

O time parece concentrado em busca dos 3 pontos.

A arquibancada estava linda, vibrante, cheia de cor e de energia..

Mesmo com uma campanha entre altos e baixos, a relação dos jogadores com a torcida está melhor do que nos anos anteriores. E lá vem o time saudar a torcida:

A Fúria Andreense cantou do primeiro ao último minuto, com bandeiras, gritos e aquela fé que só quem vive o Ramalhão entende.
Até fogos de artifício rolou!

O estádio parecia pulsar junto com cada passe, cada lançamento, cada jogada pelo alto.

E aí sempre fica aquela ideia de… se essa bola não tivesse batido na barreira…

Ver aquela festa nas arquibancadas era um orgulho imenso.

Olhando pros lados, encontrava amigos, desconhecidos, famílias inteiras fazendo barulho parecia que nada poderia abalar aquele espírito.

O projeto “Brunão raiz” levou ao estádio várias bandeiras. Olha aí a do Esquerdinha!

Mesmo quando o jogo não fluía como a gente queria, a torcida continuava firme, empurrando o time com alma

O primeiro tempo terminou em 0x0.

E um empate jogando de igual pra igual com o líder do campeonato não parece mal.

Mas o futebol, às vezes, é cruel.
A Ferroviária que não havia criado nenhuma chance clara de gol no primeiro tempo, arriscou um chute de longe e um desvio. matou o nosso goleiro.
AFE 1×0.
Mas a bancada não parou…

E essa bola na trave?? Não merecia o empate?

No final, o placar acabou adverso… O Santo André não conseguiu furar a defesa da Ferroviária e o relógio correu contra nós.

A derrota foi amarga, claro, mas a festa da torcida ficou gravada na memória como prova de que a paixão pelo Ramalhão jamais desaparece, mesmo nos momentos difíceis.

Mesmo depois do apito final, ninguém saiu correndo. Teve canto, teve aplauso e teve aquele reconhecimento silencioso entre quem ficou até o fim. Porque, ali, a gente não estava só pelo resultado.

Os jogadores vieram agradecer. Alguns com a cabeça baixa, outros batendo no peito. A arquibancada respondeu do jeito que sabe: cantando. Claro… teve cobrança, teve vaia. Mas também teve apoio. E a torcida em sua maioria ainda acredita!

E é isso que fica.
A certeza de que, independentemente do placar, o Bruno José Daniel segue sendo casa.
Lugar de encontro, de resistência e de amor ao Ramalhão.

Porque quando a gente está junto, a história continua sendo escrita.

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De volta ao Estádio Robertão, em Serra-ES em 2026

Estivemos várias vezes passeando pelo Espírito Santo.
Em 2020, graças ao amigo Thiago, pude ir até a cidade de Serra pra conhecer o Estádio Robertão, a casa do Serra FC (veja aqui como foi)

Porém, no final de 2025, tivemos a oportunidade de voltar ao estado e dar um rolê, passando por cidades como Vitória (onde inclusive assistimos à Super Copa Capixaba: Vitória 5×1 Rio Branco), Serra, Aracruz, São Mateus, Linhares, Conceição da Barra, João Neiva, Ibiraçu, e além de praias e lagoas, fui conhecer os Estádios locais.

Assim, começo contando como foi a nova visita ao Estádio Roberto Siqueira Costa (Robertão).

Se você nunca esteve no Estádio, conheça um pouco do entorno do Robertão.

Dessa vez, consegui adentrar ao Estádio e agradeço ao pessoal da gestão do time que não só liberou a minha entrada como me falou bastante sobre o dia a dia atual do clube.

Finalmente, aí está a parte interna do Robertão!

O Robertão não é um estádio moderno.
Caminhar por ali é sentir o futebol sem filtro.
O som do bairro, a montanha ao fundo, o campo logo ali, sem distância entre quem joga e quem assiste.
Não tem fachada imponente nem arquitetura moderna, mas tem identidade. Daquelas que não se copia.
Talvez nem seja muito “receptivo” para torcedores visitantes..

Dê uma olhada em como é estar pelo Estádio:

É um estádio raiz, cru e até hostil.
Cada detalhe do estádio parece contar uma história.
O concreto gasto, o placar manual, o distintivo na parede.
Tudo ali remete a um tempo em que o futebol era mais próximo, mais humano, e em que o clube fazia parte da rotina da cidade, não só do fim de semana.

Visitas assim lembram por que registrar estádios importa.
Porque mais do que jogos, eles guardam memória, pertencimento e resistência.

O Robertão segue ali, firme, esperando o próximo apito inicial e gente disposta a ocupar arquibancada, cantar e manter essa história viva.
Em resumo: adorei a visita!

Este é o meio campo, visto de quem está na arquibancada, lá ao fundo a montanha:

Acredito que aquela arquibancada do outro lado seja o espaço destinado aos torcedores visitantes.

Aqui, o gol da direita, e você pode perceber que o estádio fica literalmente no meio do bairro, ainda bastante horizontal.

E aqui o da esquerda:

Deve ser muito legal ver um jogo aqui.
E deve ser difícil bandeirar um jogo kkkk.

Além de tudo, ainda deu pra ver o elenco ali presente se preparando para o Campeonato Capixaba.

Bacana essa cor alternativa da camisa, né?

O distintivo do time na parede guarda a área dedicada aos materiais do time.

Ali estão pôsteres e troféus do time.

Pra terminar, ainda pude ver os materiais a venda como as camisas…

E o boné do time…

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